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Não me canso disto

Uma nova porta para o mundo...O meu MUNDO.

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16.07.20

Nevoeiro é sinónimo de Verão

Anita

Como já por várias vezes mencionei, para mim dias de nevoeiro são dias de verão, do maravilhoso verão.

Tive que copiar as palavras de alguém, também do Oeste, que descreveu este meu sentimento com tanta ternura nas palavras:

 

"Para todos os veraneantes que estão com ideias de virem visitar a minha região do Oeste, deixem-me descrever um pouco os hábitos dos Oestinos no Verão.
 
Foi aqui que foi inventada a palavra resiliência.
 
Resiliência é a capacidade que qualquer Oestino tem para suportar o facto de S. Pedro ter filhos e enteados e vestir o nosso Verão de outras cores.
Um dia de Verão como, por exemplo, os lisboetas ou os algarvios conhecem, só acontece por aqui uma meia dúzia de vezes na estação (4 dias marcados escrupulosamente no meu calendário de 2017).
Resiliência é, por exemplo, o facto da minha filha Maria e as amigas terem ido ontem e hoje passar o dia à praia apesar de estar um nevoeiro que nem se vê o mar e de estar a cair uma chuva miudinha.
Um Oestino quando chega o Verão pensa “Verão é Verão e se não temos sol para ir à praia, temos pena 🙄 vamos à mesma”.
Resiliência é a capacidade que qualquer Oestino tem de pensar que lá por volta das sete da tarde o tempo há-de abrir e vai estar um final de tarde espectacular.
Resiliência é a forma como os Oestinos olham para o Verão tal e qual os sportinguistas olham para o campeonato nacional: “Para o ano é que é!”.
O nosso Verão é diferente. Marcado pela autêntica barreira que é a Serra do Montejunto e que impede a natural migração das nuvens para sul, acumulando-as, empoleiradas umas nas outras, sobre a nossa região.
Imaginem os náufragos do Titanic a correr para o último salva-vidas, empurrando-se e encavalitando-se uns nos outros sem hipótese para progredir mas também a tentar não cair borda fora. São assim as nuvens em Montejunto. As que vieram do Porto chegaram às seis da manhã, as da Galiza às oito e as que vieram do Golfo da Biscaia às dez. Agora estão todas encavalitadas sobre nós.
Como esta situação perdura praticamente até Outubro, altura em que já está toda a gente a trabalhar e aparecem então uns dias jeitosos, os Oestinos passaram a ter uma bitola muito baixa e faz induzir em erro os que por cá vêm a banhos.
É preciso traduzir com atenção o que os locais querem dizer e sobretudo ter muito cuidado com as suas hipérboles.
Por exemplo, quando perguntamos para a Foz do Arelho como está o tempo (e isto é válido da Figueira da Foz até Peniche, embora os do Baleal, por razões promocionais, alardeiem um Verão constante digno das Caraíbas), é preciso saber interpretar as suas palavras.
“Está um dia espectacular” é uma expressão muito popular, (sobretudo quando se referem ao único dia em que não pudemos ir à praia) mas muito evasiva.
Como “dia espectacular” entenda-se um dia em que não chove, em que a temperatura aguenta-se estoicamente acima dos vinte graus e o vento não nos atira a areia para os olhos.
Um “está muito bom mas com um pouco de vento” significa que está tudo deitadinho na areia, protegidos não por um mas por pelo menos dois pára-ventos e só levantam a cabeça quando giram o corpo ou quando vão fazer um xixi à beira mar. Mesmo para as fotos evitam levantar-se, razão porque vemos sempre a imagem a começar no entrepeito das moçoilas e daí até aos pés.
A “água está espectacular” significa que no canal que vai da costa entre a Foz do Arelho e o Baleal e as Berlengas não há nenhum iceberg à vista.
A água estar espectacular implica um ritual mais complexo que o das oferendas a Iemanjá.
Vamos molhando os pés enquanto conversamos com os amigos. Podemos escolher entre o mérito do trabalho feito pelo Bruno Carvalho no Sporting ou as consequências do Brexit, desde que dê para uma hora. Verão centenas de pessoas à beira-mar neste exercício. As senhoras falam dos pediatras e das doenças dos filhos. Depois, como quem não quer a coisa, começam a avançar e a recuar deixando que a água os molhe até aos joelhos. Os mais afoitos, geralmente as mulheres que são mais insensíveis, deixam que as ondas lhes batam nas pernas e as molhem até à cintura.
Depois passamos a um dos momentos mais críticos. Entramos na água até à cintura (quando a maré está baixa pois caso contrário vai tudo a eito com mergulho sem pára-quedas) e começamos a salpicar o tronco e a banhar os ombros.
Meia hora depois terminamos a nossa oração a S. António de Pádua e damos um mergulho na água. Um mergulho que não chega a um segundo mal contado.
Os mais corajosos ainda arriscam um segundo mergulho ou mesmo um terceiro (Que diabo! Há que aproveitar. Um dia de Verão assim pode só voltar para o ano).
Depois saem da água a tremelicar e de dentes bem cerrados e quando são interrogados por quem chega, reportam:
- Então como está a água?
- Está espectacular!"
 
Crónica de Paulo Caiado,
sobre a resiliência nascida no Oeste e o nosso Verão"

 

não_me_canso_disto_nazare_praia_norte.jpg

[Nazaré - Praia do Norte]

 

22.08.17

Mini conversa

Anita
Quando hoje de manhã cheguei à escola dos príncipes mais novos e tirei o Mini do carro, ele diz:

" - O que é aquilo?"

Como estavam uns senhores a tratar dos espaços exteriores, disse-lhe que eram os senhores que estavam a cortar silvas. Ele disse que não era isso e depois continuou:

" - Aquilo? O que não consigo ver?"

A minha cara devia de ser mesmo estranha que ele completou:

" - É fogo?"

Então percebi, falava do nevoeiro.


20.04.17

Páscoa na aldeia #1#

Anita

Domingo estava um dia de sol. Com um dia tão bonito decidimos aproveitar os ares do campo e dar um volta pela aldeia. Fomos à fazenda ver como estavam as coisas. As nêsperas já se encontram maduras. Ali a fruta tem sabor. O maridão que é mais alto esticou os braços e nós deliciámo-nos com aquelas nêsperas doces e acabadinhas de apanhar. O Mini adorou.



Continuámos a caminhada, o Mini aproveitou os pauzinhos do chão para fazer espadas.



Mas, não estava calmo, porque os irmãos tinham ficado com a avó e ele queria ir jogar na consola velhinha que lá existe - Nintendo 64. Voltámos a casa da minha mãe, deixámo-lo lá e continuámos a passear pela aldeia. Mas, não por muito tempo. A zona Oeste tem os famosos nevoeiros que gelam os dias de Primavera e Verão, com a chegada do nevoeiro, também nós regressámos a casa.

18.07.12

Memories #1#

Anita


Nestes dias de verão, tão quentes, tão quentes que quase assamos, aqui no norte do país, dá-me uma nostalgia, perdendo-me pelas lembranças dos dias de praia em criança. Não há nada como a região Oeste, onde um dia de praia, em pleno verão, sem nevoeiro, é muito raro. Que fresquinho...
Para mim dias de nevoeiro são uma doce lembrança dos dias em que ia para a praia. São sinónimo de VERÃO. São sinónimo de FÉRIAS.

O Mundo de Anita

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